"Quase sempre a lápis em pedaços esparsos de papel, seguindo o curso aleatório de meus devaneios ou de minhas caminhadas" "O narrador é um ser feito de palavras, não de carne e osso, como os autores tendem a ser"
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Máquina de escrever
domingo, 7 de setembro de 2008
Vista do alto
terça-feira, 26 de agosto de 2008
A personificação do eu, do nosso (desabafo)
É evidente a personificação do eu subjetivo, aquele cheio de sentimentos e sem nenhuma regra, nenhuma imposição. Poderia ser algo mais satisfatório? E essa concretização é paradoxal, assim como a nossa sociedade. Assim como os ouvintes, aqueles que são donos das narrativas.
Declaro-me motivada a seguir estes caminhos. A culpa deve ser da minha mãe, uma contadora de histórias que me ensinou desde cedo a importância do livro. Ou é daquele sentimento de decepção com a realidade jornalística da minha região. Talvez um desejo de acrescentar, inovar e - quem sabe - transformar o que tanto observo.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Grunhido
-Viva aquilo que não entendo! Viva aquilo que não vivo! Viva o que não me representa!
E todos olhavam surpresos.
Lá de cima do palanque, o grunhido não foi ouvido.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Aquilo que me preenche
Quando criança, a mãe lhe deu uma caixa grande e colorida. Poderia guardar aquilo que não deveria ir embora. Guardou a felicidade. Não poderia abrir, a felicidade sumiria com o soprar do vento. Vento insano! Um instante, a caixa foi aberta rapidamente, mas que importância tem um instante? Olhou o escuro. A felicidade era escura. Os olhos amargurados perceberam que a felicidade era o vazio. Gritou para os cantos e para o vento ingrato! “A felicidade é efêmera! A felicidade é banal!” Nunca mais volte felicidade fugaz!
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Num espaço
Jurava querer o que todos queriam, jurava baixinho, só para ela, mas não queria jurar. Queria lê todos os livros e assim saberia que poderia saber, assim, sem querer. Mas querer, ela não queria. Jurava que não.
Não, ela não jurava. Apenas queria pouca coisa. Era justo. Coisa só dela. Ali, onde era vazio, seria só dela.
O vazio poderia completá-la, só o vazio. Que era só dela e não de ninguém. Assim poderia jurar. Jurar para ela o que seria só dela:
O vazio.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
VIDA DE SURURU
Ponto de vista sobre a obra de Graciliano Ramos: Angústia
Cruzando a Praça dos Martírios, surge à angústia de Luís da Silva, personagem de Graciliano Ramos num romance de linguagem densa e existencialista. O personagem vive a devanear o desejo de uma mulher, ao mesmo tempo em que sobrevive ao purgatório que é sua existência. Luís da Silva poderia ser o retrato da classe média alagoana da década de 30: servidor público, que vive a pedir emprestado cruzeiros para os amigos. Homem que fala mal do governo ao mesmo tempo o serve.
A vida seguia normal, casa- repartição pública - trabalho no jornal - leitura de romances efêmeros. Tudo seguia a ordem, até reconhecer Marina. Ar, mar, rima arma, ira, amar. A vizinha mexeu-lhe os nervos e assim ela está presente nas primeiras páginas do romance, como nos pensamentos carnais de Luís da Silva, já que não se pode falar de amor.
Luís da Silva não casou com Marina, então a loucura transpareceu o personagem, o mundo é o imaginativo de seus pensamentos, nada mais é real. Fatos se misturam com devaneios, mas é fato que sua amada o traiu e a partir deste ponto, que ele obcecado, mata seu rival, aquele que seduziu sua mulher. Lembranças de personagens da sua infância confundem-se com os do presente. Seus medos, fraquezas, sangue, ódio e morte, tudo toma o pensamento de Luís da Silva. O personagem já não mais vive. "vida de sururu. Estúpida".
Ao ler as 227 páginas de Angústia, o leitor sente-se literalmente angustiado. Todo o peso escuro e grosso do coração do personagem é passado para aquele que o acompanha, aqui está uma leitora que teve pesadelos com as letras e frases sujas de piche.