Eu estou Raskólnikov.
"Quase sempre a lápis em pedaços esparsos de papel, seguindo o curso aleatório de meus devaneios ou de minhas caminhadas" "O narrador é um ser feito de palavras, não de carne e osso, como os autores tendem a ser"
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Na estrada
Os passos são indefinidos. Talvez, busque por perguntas sem respostas. Rostos conhecidos não me interessam. Apenas a brisa leve da novidade que me aguarda. Estrada que guarda o fim em mim. Daqui para a frente só verei o horizonte dentro de mim.
http://estrada-aberta.blogspot.com/2011/02/cantico-da-estrada-aberta-walt-whitman.html
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domingo, 24 de julho de 2011
Palavras
Procuro na estante meus livros. Na verdade, procuro palavras soltas. Abro na página desgastada e 17. “Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. E não te sou e me sou confortável; o pensamento pensa com palavras".
sábado, 23 de julho de 2011
Mais que Centro animado, tchê!
O local era realmente estratégico para quem, assim como eu, tivesse curiosidade sobre centenas de pessoas que atravessavam o Mercado Público em direção a Rua da Praia. A única lembrança que tinha dessa famosa Rua de Porto Alegre era dos textos da jornalista Eliane Brum, no livro “A vida que ninguém vê”, mas ai já é outra história...
Além do andar apressado dos transeuntes do Centro, a animação era garantida pelos protagonistas / comerciantes que marcavam ponto no local. Todos os dias, com chuva ou sol, as vozes anunciavam: “Corto cabeeeelooooo” “compro ouro, compro ouro”. Mistura de tons que parecia mais um coral desafinado. Mas nenhuma voz se comparava a dela com o seu suave e preciso: “compro e vendo celulaaarrrr. Celular compro e vendoooo”. Era quase uma música popular. A figura com a voz singular era uma senhora negra e grande que se posicionava em uma das esquinas para, com as mãos para trás, cantar o seu hino do dia a dia. Ela me lembrou muito o personagem Clodair, da história “A voz”, reportagem de Eliane Brum. Nela, a jornalista conta como o cantor de Conceiçãoooooooooo ganhava a vida e inimigos naquela mesma Rua da Praia.
Além do andar apressado dos transeuntes do Centro, a animação era garantida pelos protagonistas / comerciantes que marcavam ponto no local. Todos os dias, com chuva ou sol, as vozes anunciavam: “Corto cabeeeelooooo” “compro ouro, compro ouro”. Mistura de tons que parecia mais um coral desafinado. Mas nenhuma voz se comparava a dela com o seu suave e preciso: “compro e vendo celulaaarrrr. Celular compro e vendoooo”. Era quase uma música popular. A figura com a voz singular era uma senhora negra e grande que se posicionava em uma das esquinas para, com as mãos para trás, cantar o seu hino do dia a dia. Ela me lembrou muito o personagem Clodair, da história “A voz”, reportagem de Eliane Brum. Nela, a jornalista conta como o cantor de Conceiçãoooooooooo ganhava a vida e inimigos naquela mesma Rua da Praia.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A líder dos excluídos
Plateia lotada na Assembleia Legislativa de Alagoas. A Casa dos deputados comemorava o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, quando uma convidada especial subiu à tribuna.
- Hoje comemoramos uma data muito especial e eu pergunto a vocês, autoridades desta Casa: o que vocês fazem pelos direitos humanos? Qual a proposta que vocês têm para isso? Dizem que aqui é a Casa do povo. Pois eu digo diferente. Eu digo que aqui é a casa dos poderosos, do povo não é não. Poderosos que não fazem projetos para a comunidade, nem tão pouco para os excluídos.
Os alinhados deputados e convidados levantaram-se de suas poltronas e aplaudiram a mulher, que, pouco antes de seu discurso, havia sido barrada pelos seguranças da Casa do povo porque tinha havaianas nos pés.
Cabelos cacheados, quase sempre amarrados para trás. Olhos escondidos por lentes de vidro. O visual lhe rendeu entre os amigos o apelido de Heloísa Helena, polêmica senadora alagoana. Postura agressiva de mulher guerreira, que se confunde com o sorriso fácil nos lábios e o abraço fraterno. O nome Lourivane Correia Teixeira é o que consta na identidade, porém todos a conhecem como Vânia, a líder comunitária da Favela Sururu de Capote....
terça-feira, 19 de abril de 2011
Na cadeira de balanço
A lista de médicos especializados em gastroenterologia era imensa. Centenas de nomes desconhecidos na tela do computador. Como escolher? Pelo nome mais bonito, não seria uma boa opção. Escolhi aquele que tinha um consultório mais perto do meu bairro. A lista ainda era imensa. Então escolhi o primeiro médico do bairro Farroupilha, já que em vinte minutos chegaria lá.
A casa era pequena com indicações de aulas de yoga e acupuntura em um cartaz discreto. Não havia indicação do nome da doutora que marquei por telefone. Entrei mesmo assim. O piso de madeira chamou a atenção, será que funcionaria mesmo um consultório ali? Porém, o mesmo olhar de uma atendente impaciente confirmou o endereço. A decoração nem um pouco convencional para o costumeiro consultório branco gélido. O que me espantou ainda mais foi o cheiro agradável que identifiquei como vindo de algum incenso. Poucos minutos, a doutora chamou o meu nome.
Cabelos curtos, meia idade, uma brancura que contrastava com tatuagens coloridas. Pediu para acompanhá-la pelas escadas. Ao entrar o cheiro de incenso tomou ainda mais o ambiente. O piso ainda era de madeira, mas não encontrei nenhuma mesa de mármore (sempre é de mármore) que nos separasse. Na minha frente, duas cadeiras de balanço. Daquelas que cheguei a brincar quando pequena na casa de interior da minha vó. Ela sentou na minha frente e o silêncio foi quebrado com um aummmm que veio de fora.
-Sente-se, vamos conversar.
- Acho que não entrei no consultório certo.
- Você não procura um médico especializado em gastroenterologia?
- Sim. É que estranhei o ambiente.
Não apenas o ambiente. A conversa médico e paciente (ou seria de velhas desconhecidas) foi muito agradável. Indicações de flores no lugar de comprimidos para um futuro tratamento, nada de computadores e algo como hum rum..vou passar um exame. A doutora me conquistou. Quer dizer, a cadeira de balanço mais ainda...
A casa era pequena com indicações de aulas de yoga e acupuntura em um cartaz discreto. Não havia indicação do nome da doutora que marquei por telefone. Entrei mesmo assim. O piso de madeira chamou a atenção, será que funcionaria mesmo um consultório ali? Porém, o mesmo olhar de uma atendente impaciente confirmou o endereço. A decoração nem um pouco convencional para o costumeiro consultório branco gélido. O que me espantou ainda mais foi o cheiro agradável que identifiquei como vindo de algum incenso. Poucos minutos, a doutora chamou o meu nome.
Cabelos curtos, meia idade, uma brancura que contrastava com tatuagens coloridas. Pediu para acompanhá-la pelas escadas. Ao entrar o cheiro de incenso tomou ainda mais o ambiente. O piso ainda era de madeira, mas não encontrei nenhuma mesa de mármore (sempre é de mármore) que nos separasse. Na minha frente, duas cadeiras de balanço. Daquelas que cheguei a brincar quando pequena na casa de interior da minha vó. Ela sentou na minha frente e o silêncio foi quebrado com um aummmm que veio de fora.
-Sente-se, vamos conversar.
- Acho que não entrei no consultório certo.
- Você não procura um médico especializado em gastroenterologia?
- Sim. É que estranhei o ambiente.
Não apenas o ambiente. A conversa médico e paciente (ou seria de velhas desconhecidas) foi muito agradável. Indicações de flores no lugar de comprimidos para um futuro tratamento, nada de computadores e algo como hum rum..vou passar um exame. A doutora me conquistou. Quer dizer, a cadeira de balanço mais ainda...
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