sexta-feira, 28 de março de 2008

Solidão dois em um


... e tinha uma vontade de fechar bem os olhos e não pensar mais em nada.

Ali, no escuro, poderia sentir o toque dos seus dedos percorrendo o corpo encolhido.

Sem palavras, entregava-se ao silêncio. Ao abrir os olhos, admirava-se com as pupilas cor de mel.

Poderia deixar tudo para depois, nada mais importava, só aquele balançar de cílios.

Vestia-se em comoção, em toda a sua vida enxuta, esperou aquele momento. Encharcada, sentia-se transparente.

Com os pés apoiados nos dele, calmamente, tentaram prosseguir, e foram ao chão.

Olhava-se no espelho e via uma alma branca e pura, uma alma.

Esperou um instante..

Ao se dá conta que estava só, chorou mais uma vez...

2 comentários:

Estêvão dos Anjos disse...

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio

lembrei desses versos do Cazuza qnd li...

achei tão triste :(

eita!!! to lendo A PAIXÃO SEGUNDO GH :)
MUITO MASSA

Paulinha Felix disse...

Também achei triste, mas é uma tristeza bonita... Adorei a relação sombra-água-emoção.

Lindo, Kassinha, lindo mesmo!