quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tempo

Tempo, tens tua teimosia taciturna.
Tempo, tens tua tirania.
Tua taquicardia traz tempestade.
Tempo, tua temporalidade trouxe temporal.
Temporais dentro de mim...

domingo, 13 de novembro de 2011

Você está em um déjà vu! Abra os olhos e sinta! Disse-me, lançando um olhar furioso.
Antes de retornar à realidade, preciso organizar aqui dentro para que eu faça sentido novamente. Será que você me entende? Pude sentir o seu coração quebrando aos poucos, mas ele não se movia e continuava:
Você está em um déjà vu!
Eu sei que estou me repetindo. Dando voltas..parada no mesmo ponto de partida. Será que você me entende? Tentei de novo e pensei alto:
O amor é sem sentido mesmo, quem é você para compreender?
Volta e começa tudo de novo. Deu a ordem.

sábado, 29 de outubro de 2011

Encontros com a Felicidade Clandestina

A gordinha desajeitada sentava entre os adultos em uma sala que não era de aula porque era de estar. Ali, a escritora Arriete Vilela evocava Clarice Lispector e o seu conto “Felicidade Clandestina”. A partir daquele dia, a menina gordinha passou a imaginar a personagem do conto encarnada naquela que narrou a história. Arriete se transformou em uma “rainha delicada” na imaginação da pequena.

Anos passam e a garota sentava entre os melhores amigos ao reencontrar a figura da rainha. Era a "própria esperança da alegria" ao relembrar a infância e as primeiras leituras.

A surpresa maior foi, já em terras distantes, a felicidade lhe encontrar novamente. Foi quando ela percebeu que já não era uma garota e sua primeira leitura, e sim "uma mulher com o seu amante”.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vai participar da V Bienal de Alagoas? Confira a dica:

A V Bienal Internacional do Livro de Alagoas contará com o lançamento do livro Veredas Caminhos e Riachinhos da escritora alagoana Lúcia Nobre. A autora é uma poetisa apaixonada pelo sertão. Na verdade, sertões: aquele da terra seca de sua infância na cidade interiorana de Santana do Ipanema. Aquele Grande Sertão: Veredas do mestre Guimarães Rosa. “Nascer no sertão é embrenhar-se em sua alma rústica que precisa ser lapidada e amada”, escreve.
A obra, que será apresentada ao público da Bienal nesta terça-feira (25), tece histórias sobre os sertões e suas belezas. Para isso, a autora evoca o poeta mineiro e a sua relação com o sertão: os amores do jagunço Riobaldo (Grande Sertão: Veredas); a conversa com o Famigerado (Primeiras Estórias); o diálogo com Augusto Matraga (Sagarana) e outras personagens de Rosa.
Lúcia descreve sua cidade natal, Santana do Ipanema, e a beleza daqueles que enaltecem a cultura vinda da terra seca. O resultado é o que a autora denomina de “entrecruzamento das culturas dos sertões”.
O lançamento do livro Veredas Caminhos e Riachinhos será, a partir das 19h, no estande da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames). A V Bienal acontece no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso.

Sobre a autora

Lúcia Nobre é professora de Literatura Brasileira e escritora. É membro efetivo da Academia Alagoana de Cultura/ Maceió/AL e sócia honorária da SOBRAMES/AL - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Veredas Caminhos e Riachinhos é o nono livro da autora, cuja produção inclui a obra A Arte Rosa do Popular ao Erudito, título da EDUFAL e o romance O Sonho de Alice, da HD Livros Editora.

Serviço
O quê: Lançamento do livro Veredas Caminhos e Riachinhos, da escritora alagoana Lúcia Nobre.
Onde e quando: na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, terça-feira (25), às 19h.
Informações: lucinha_nobre@yahoo.com.br

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desordem

"Os fatos principais na vida humana são: nascimento, alimentação, sono, amor e morte". Eu digo: não, necessariamente, nessa ordem.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Meu encontro com Eliane Brum

Vesti a minha melhor roupa, um vestido comprado especialmente para este momento. Meus cabelos estavam recém-lavados e uma fina maquiagem cobria minha face. Segui timidamente até a Livraria Cultura, 20 minutos da minha residência, para o lançamento de “Uma Duas”, primeiro romance de Eliane Brum. Parecia criança com seu novo brinquedo. Adolescente com o primeiro namorado. Parecia o meu encontro com Eliane Brum.
Com a serenidade que já desconfiava, ela escreveu palavras pretas nos meus/seus livros. (“A vida que ninguém vê”; “O olho da rua” e “Uma Duas”). Ela era alta, como eu não imaginava. Porte de atleta que joga dados em Olimpíadas. Brum é simpática, como eu esperava. Não falava muito, apenas sorria. Parecia estar nervosa.
- Ela é sua fã. Estudou você na pós-graduação e agora no mestrado. Revelou o Jr.
- Sério??? Respondeu a autora.
Eu permaneci muda. Encantada com aquele pequeno espaço de felicidade.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fruto

A árvore estava convidativa, apesar de nunca ter subido em uma. Olhou para o fruto tão vermelho que parecia esboçar um sorriso daquele que espanta qualquer tristeza. Tão límpido e visivelmente saboroso. Poderia se deliciar em instantes divinos, mas receou a queda e no chão permaneceu. Ali, em terra firme, pode imaginar o sabor daquele que nunca seria seu. O medo paralisava ao ponto de nem tentar erguer as mãos para alcançar aquele que não era inalcançável. Não era capaz. No pensamento, lambuzou-se ao ponto de enjoar daquele fruto e desejar não mais tê-lo. Encheria os bolsos até nada mais caber para, enfim, comer como se não houvesse amanha, como se todos os outros frutos não existissem. Seria fiel aquele desejo até o momento de encontrar outra árvore e nela não subir.