quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Caminho das borboletas

Eu imagino todas as palavras que deveria pronunciar. Todas as palavras de baixo calão que travam na garganta e fazem o silêncio permanecer. A voz dá passagem à lágrima. Eu espero o momento certo para, num só momento, acertar bem no orgulho. O seu orgulho dilacerado, o meu prazer. Quanta arrogância, quanto medo. O seu pavor percorre minhas veias e não me deixa viver. Os meus defeitos, a sua ignorância. A batalha diária chega ao fim. Eu desisto. Desisto porque sei que a estrada não só segue por um caminho. A passagem é escura, mas aqui ela é hostil. O mundo todo é hostil, mas aqui dentro ele é formado de borboletas. E são elas, que irei seguir.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Telefone

Ele disse que queria envelhecer ao lado dela. Ela desconversou e perguntou por que ele não ligou. Ele disse que pensou nela o dia inteiro e ela que já sentia saudade.
Ele: Mas você vai me ver daqui a dois dias!
Ela queria que ele dissesse que também sentia a sua falta.
Ela disse tudo bem. Ele disse, eu não quero mais brigar, então beijo e tchau. Ela disse tchau. Cinco minutos depois, ela recebe uma mensagem: Seu saldo é R$ 15,00. Ela liga de novo.
Ela: Liga a tv, está passando aquele filme que você disse para eu assistir.
Ele se animou e falou para ela ir logo assistir.
Ela disse que já estava indo e perguntou do almoço.
Ela: A sua mãe fez aquele empanado de frango?
Ele: Com brócolis e feijão verde.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mordidas

Como é doce.
Qual é a definição se não a fofura.
Mordo!
Entre os dentes, carne humana.
Eu estou olhando sem controle, vou à direção certa, meus olhos não piscam.
NHAC! A parte roxa ainda está na pele mordida.